A POESIA NO BALANÇO

A POESIA NO BALANÇO

O ano de 2018 teve surpresas na seara poética.

Tivemos a poeta Hilda Hilst como homenageada na FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty. Mesmo polêmica, foi ela quem brilhou na aclamada FLIP, que se readequou à diminuição de patrocínios e fez uma festa tão aclamada como as edições que a antecederam. https://jornaldaqui.com.br/hilda-hilst-uma-escritora-e-poeta-ousada-irreverente-e-pouco-conhecida-na-flip-2018/

E encerramos o ano com chave de ouro poética. O grande vencedor do Prêmio Jabuti, a mais renomada premiação literária brasileira, foi o poeta cearense Mailson Furtado, de 27 anos. Sua obra levou dois prêmios: a de melhor livro de poesia e o livro do ano. O livro à cidade foi escrito à mão por ele, que também desenhou a capa. E a edição foi independente, ou seja, custeada pelo autor. E já está à venda, como localizei no site da Amazon.
https://jornaldaqui.com.br/a-hora-e-a-vez-da-poesia-independente/

A parte mais triste e preocupante do ano nesta área foram os pedidos de recuperação judicial das redes de livrarias Cultura e Saraiva. Que culminou no pedido de final de ano, vindo de Luiz Schwarcz, presidente da Companhia das Letras, em forma de carta. Ele pediu para que as pessoas presenteassem neste Natal com livros para aquecer o mercado literário.

Atendendo ao pedido de Schwarcz, sugiro alguns livros de poesia que podem agradar admiradores da arte poética.

Autora homenageada da FlIP 2018

Pela primeira vez, a produção poética de Hilda Hilst, dispersa em mais de vinte livros, é reunida em um único volume.

A intensa e prolífica atividade literária de Hilda Hilst se desdobrou em livros de ficção e em peças de teatro, mas foi na poesia que ela deu início e fim à sua carreira. Ao longo de 45 anos, entre 1950 e 1995, a poeta publicou em pequenas tiragens graças ao entusiasmo de editoras independentes ― com destaque para Massao Ohno, seu amigo e principal divulgador. No início dos anos 2000, os títulos de Hilda passaram a ser publicados pela Globo, editora com ampla distribuição. Nessa época, a sua escrita, até então considerada marginal e hermética, começou a receber o interesse de uma legião de leitores e estudiosos.
Agora, a Companhia das Letras reúne, pela primeira vez, toda a lavra poética da autora de Bufólicas em um só livro, que inclui, além de mais de 20 títulos, uma seção de inéditos e fortuna crítica. O material contém posfácio de Victor Heringer, carta de Caio Fernando Abreu para Hilda, dois trechos de Lygia Fagundes Telles sobre a amiga e uma entrevista cedida a Vilma Arêas, publicada no Jornal do Brasil em 1989.
A poesia de Hilda ― que ganha forma em cantigas, baladas, sonetos e poemas de verso livre ― explora a morte, a solidão, o amor erótico, a loucura e o misticismo. Ao fundir o sagrado e o profano, a poeta se firmou como uma das vozes mais transgressoras da literatura brasileira do século XX. (fonte: www.amazon.com.br )

Vencedor do Prêmio Jabuti 2018 – Livro do Ano

Com elementos geográficos, históricos, sociológicos, políticos, físicos, metafísicos, folcloristas, genealógicos, à cidade é um poema que vem apresentar de forma contemporânea uma visão de uma cidade do sertão, com plano de fundo para aquelas banhadas ou mudadas indiretamente pelo caminhar do Rio Acaraú na Zona Norte do estado cearense. O poema mistura a vida do autor e suas gerações à vida construída por um povo migrante há mais de três séculos. Nele a cidade se constrói, se destrói, se remonta, se inventa e reinventa e ganha inúmeras significações do que pode ser. O poema apresenta uma estética com influências de vários movimentos modernos e pós-modernos do século XX: o concretismo, neoconcretismo, rimas incertas, além da ausência de pontuação gráfica, influência vinda da poesia oriental. Os versos misturam a influência científica adquirida pelo autor em livros e bancos universitários e a sua influência coloquial, cabocla, conquistada por ser parte agricultor, parte pescador e por inteiro residente do sertão inventado pelo Acaraú. à cidade vem instigar o leitor à pesquisa, ao conhecer, ao buscar termos, citações sobre o ambiente que tomou por base, o sertão Norte do Ceará, entre o litoral extremo-oeste, a serra da Ibiapaba, a Meruoca e das Matas. à cidade vem assim, apresentar uma faceta do que é ser cearense, aquele/este do interior da cidade.

(Fonte: www.amazon.com.br)

No ano em que se comemoram os 110 anos da imigração japonesa no Brasil, Haicais tropicais reúne vinte autores brasileiros e convida o leitor a conhecer o poema oriental de três versos que trata de temas como a passagem do tempo, a natureza, as estações do ano e o espírito humano. Pequeno poema de origem japonesa, o haicai chegou ao Brasil no início do século XX e aqui trilhou sua própria história. Há mais de trinta anos, o poeta e pesquisador Rodolfo Witzig Guttilla faz um brilhante trabalho arqueológico — que inclui desde a consulta a edições raras a entrevistas com autores — para reconstituir esse percurso e mapear nossos haicaístas. Um dos frutos dessa pesquisa é Haicais tropicais, antologia com vinte poetas brasileiros que tiveram contato com a prática — seja criando ou traduzindo haicais — e contribuíram para sua difusão. São nomes consagrados, como Paulo Mendes Campos, Mario Quintana e Manoel de Barros, inusitados ou pouco lembrados de nosso cânone, como Sérgio Milliet e Austen Amaro, e contemporâneos, como Alice Ruiz S e Régis Bonvicino. Muitos deles ainda estão na ativa e renovam o gênero com frescor e originalidade, provando que o poema japonês de três versos permanece atual. Com mais de uma centena de tercetos, além de uma introdução sobre o histórico do haicai e biografias dos autores selecionados, este é um convite para conhecer a tradição poética japonesa em sua melhor roupagem tropical. “Uma leitura obrigatória para quem gosta de haicais e para quem ainda não sabe que gosta. Para poetas e não poetas. Para quem escreve e para quem quer aprender a escrever. Para todos os que procuram a surpresa e a essência da vida.” — José Eduardo Agualusa

(Fonte: Verso da capa do próprio livro)

Tem muita poesia boa nas livrarias para a gente presentear!

Finalizo celebrando um ano de minha Coluna Põe Poesia e
desejando celebrações sensíveis e amorosas para as Festas de Natal e Ano Novo.
Até 2019!

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