Antologia de Haikais (parte 3)

Antologia de Haikais (parte 3)

na Praça da Sé

os idosos tomam sol

sem falar nem ler

 

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à noite… sozinho…

me deixa mais pensativo

o canto dos insetos.

 

Masuda Goga

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Tive a honra de conhecer o mestre de haikai em português e japonês. Foi um privilégio ter participado do Grêmio Haicai Ipê, do qual ele foi um dos fundadores e coordenador. Embora tivesse a preocupação com o rigor nipônico nas manifestações haikaísticas brasileiras, era muito sensível e aberto a inovações. Nunca vou me esquecer, um dia, em um encontro do Grêmio Ipê, no qual mestre Goga levou o haikai sobre a Praça da Sé e o mostrou para nós: “- o que acham do primeiro verso?, perguntou. Querem mudar primeiro verso?” O poeta não tinha nem apego, nem tampouco vaidade. Seus haikais já nasciam pertencendo ao mundo. Faleceu em 28 de maio de 2008, no ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, aos 96 anos. E soube que pouco antes de falecer, fez a versão para o japonês dos haikais de Paulo Franchetti, grande haikaísta e estudioso e pesquisador do haikai, para o livro “Oeste”, lançado nos auspícios do Centenário.

 

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os grilos cantam

apenas do meu lado esquerdo

como estou ficando velho!

 

Paulo Franchetti

1º. Lugar no V Encontro Brasileiro de Haicai, em 1990.

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o dia abre sua mão

duas nuvens

e estas poucas palavras

 

Octavio Paz

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É sempre ler, suspirar e ficar na paz.

Como amo este hakai do poeta mexicano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1990!

(Nasceu em 1914 e faleceu em 1998.)

 

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