Ela vem toda de Cristina Branco

Ela vem toda de Cristina Branco

Ela vem toda de branco, toda apressada e despenteada… Quem vem lá? Cristina Branco vem de branco… Branco no avental, branco no sorriso sem igual… Ela não vem molhada, como na música, mas vem apressada, muito apressada. E o despenteada foi licença poética da autora!

 

E de onde vem ela… para onde vai?

 

Ela vem e vai pra lá e pra cá (nome desta coluna!), diariamente, agitadamente. Trabalha muito esta fisioterapeuta com pós-graduação em fisioterapia geriátrica.Cristina Branco

 

Vou tentar reproduzir um pouquinho da rotina dela… E tenho certeza de que só vou conseguir transmitir uma ínfima parte do ritmo e da complexidade do seu dia-a-dia que está mais pra dia-a-noite, sendo que cedo, bem cedo é o dia e tarde é a noite.

 

Ela acorda cedinho e antes de tudo… medita.

 

Muito antes de eu conseguir introduzir a meditação na minha vida, lá estava ela entrando em sua conexão diária com o Cosmo, pedindo ajuda, proteção e inspiração para mais um dia. E haja energia!

 

Até pouco tempo, zarpava para a yoga na Ulabiná (às sete da matina) e, de lá, rumava para a clínica de idosos onde trabalha praticamente todas as manhãs, incluindo sábados e domingos.

 

Cristina atende a 5 idosos nessa clínica, e um desses privilegiados é o meu pai. Mas ela não se limita a atender seus pacientes. Ela cuida, se preocupa, pesquisa, utiliza-se de inúmeros recursos que vem acumulando ao longo de sua trajetória profissional. Além das manobras fisioterapêuticas, Cristina utiliza-se de sua experiência em acupuntura, reflexologia, fitoterapia e massagem, dentre outras. Ela é incansável. Está sempre pesquisando, estudando, indagando e dando o melhor de si. Fora o carinho com que trata seus pacientes e todos do seu entorno. É uma lição de vida ambulante, esta moça toda de branco, toda sorrisos, toda dedicação.

 

Mas o dia mal começou para ela! Duas vezes por semana, ela se despede de seus idosos e ela vai direto para São Paulo, onde atende pacientes que trabalham em uma renomada empresa da área de comunicação. A gente poderia dizer, então, que é uma fisioterapeuta global, literalmente!

 

E, no meio desses compromissos profissionais, faz o que todo mundo gostaria de fazer por aqueles que mais ama: encontra tempo e espaço para cuidar dos pais. E faz isso religiosamente, com muita satisfação.

 

Uma das coisas que lhe dá mais alegria é levar a mãe para ter aulas de piano. É um momento sagrado na rotina das duas. Nos dias em que não cruza a Raposo (e quase sempre faz isso pulando o horário do almoço, com direito a comer uma fruta no carro), Cristina atende em seu consultório na Granja. Um sem número de pacientes fiéis aguarda, ansiosamente, aquele momento semanal.

 

Eu posso pôr no meu currículo que já fui tratada por ela. E nem preciso dizer o quanto ela me ajudou em um problema de saúde que tive recentemente. (Também posso pôr a “Tia Cris” no currículo da família inteira!).

 

Entre um paciente e outro, a rotina é corrida aqui na Granja. Mas ela arruma tempo de trazer um chazinho ou suco para o seu paciente, dependendo da estação.Marcar a foto dessa matéria com a Ligia Vargas, por exemplo, não foi nada fácil. Só consegui falar com ela às dez da noite. Tentei ser breve, pois ela estava bem cansadinha… Tinha acabado de falar com o namorado. Sim, ela tem tempo para namorar o Chico, um moço pra lá de simpático e apaixonado por ela!

 

Os filhos já são grandes: universitários e já no mercado de trabalho. Tomaz, na engenharia e Fábio, no design. O primeiro trabalha em uma empresa de engenharia, em São Paulo e o caçula faz estágio em um estúdio de design na Granja. Meninos (esses rapazes, para mim, ainda são meninos) lindos, carinhosos, inteligentes e talentosos. Herdaram o sorriso luminoso da mãe.

 

Cristina BrancoDeram muita força para a mãe fazer uma segunda faculdade, com eles já crescidos, mas ainda precisando muito dela (quem não precisa?).

 

O primeiro curso foi escolhido daquele jeito que muitos escolhem a carreira aos 18 anos. Acho graça quando ela conta que ela ia de moto para o curso de Publicidade e Propaganda na Faap, em São Paulo.

 

Cristina nasceu e cresceu nos arredores do Alto de Pinheiros e só saiu de lá para se casar. E foi então que começou a escrever sua história na Granja.

 

Em 1980, ela e o namorado, agora ex-marido, compraram o terreno próximo à Estrada do Embu, em Cotia. Construíram a casa dos sonhos e foi para lá que se mudaram com o filho mais velho, então com 9 meses, em 1986. Fábio nasceu em solo granjeiro, em 1989.

 

Passou a adentrar a área de saúde sendo instrumentadora cirúrgica do pai durante anos. É filha de um renomado médico e professor e acredito ter herdado dele o espírito científico e a paixão por esta área.

 

Com tantas reviravoltas e responsabilidades em sua vida, atendendo em São Paulo e na Granja e com pais, namorado e irmãos além Granja, perguntei a ela o que a mantinha aqui até hoje.

 

Como adora astrologia, a leonina (com ascendente em Capricórnio, diga-se de passagem) atribui ser um tanto quanto acomodada à influência taurina em seu mapa (Marte em Touro) que, para quem entende, deve significar muito. Também diz que não gosta muito de apartamento e aprecia a privacidade que tem aqui na Granja.

 

Mas para quem já foi em sua casa, com ares de chalé europeu, comeu o alface da sua horta, ou ganhou um suculento abacate dela, pode suspeitar que há muitos outros apelos que fazem dela uma granjeira singular.

 

Infelizmente, acho que ela não vai gostar deste perfil que estréia a minha coluna no site. Acontece que Cristina é tão competente quanto humilde (na minha humilde opinião!). Sorte da Granja, ter anjos encarnados, como ela, cuidando da gente… com tanto amor!

 

Texto Silvia Rocha, fotos Ligia Vargas

 

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