No Brasil, Susie Orbach, psicanalista e escritora

No Brasil, Susie Orbach, psicanalista e escritora

A vinda da psicanalista e escritora Susie Orbach ao Brasil
 
O sucesso de Gordura é uma questão feminista
Conheci a psicanalista e escritora Susie Orbach há 3 décadas, quando estudava em Londres. Meu primeiro contato foi por meio do livro Fat is a feminist issue (A gordura é uma questão feminista). O livro foi publicado em 1978 e se tornara um “bestseller” na Europa e nos Estados Unidos. Eu havia engordado subitamente no período em que estudava na Europa e o livro ajudou-me a refletir sobre as questões que me levaram a aumentar o peso. Considerei suas idéias muito avançadas, pois Susie me instigava com sua abordagem de dentro para fora e era terminantemente contra dietas ou quaisquer interferências que viessem de fora para dentro, além de questionar por que as pesquisas apontavam que a obesidade e a compulsão por comer afetavam muito mais as mulheres do que os homens. Susie também refletia sobre questões feministas, com ênfase ao papel da mulher na sociedade. Logo imaginei que o livro seria muito bem-vindo no Brasil.
 
Co-fundadora do Women´s Therapy Centre de Londres e Nova York
Conheci Susie no Instituto de Terapia da Mulher de Londres que ela fundou juntamente com a colega psicanalista Luise Eichenbaum, em 1976. Depois, reencontrei Susie na filial do Instituto, em Nova York, e lá oficializamos que seria sua agente literária no Brasil. Em ambos os institutos, voltados à mulher, Susie fazia atendimentos individuais, de casal, de grupo, supervisões e pesquisas. Além de ministrar cursos, palestras e escrever livros sobre sua intensa experiência. Pois foi a partir desta bagagem que Susie foi entrando em contato com as desordens de alimentação que tanto mobilizavam e afligiam as mulheres.
 
Susie Orbach no Brasil
De volta ao Brasil, na condição de agente literária de Susie Orbach no Brasil, trabalhei o título junto às editoras e a Record logo interessou-se pela publicação de Gordura é uma questão feminista, em 1987. Logo em seguida, a Record publicou Afinal, o que querem as mulheres?, por mim agenciado, traduzido e, também autora da Apresentação à Edição Brasileira.  A Record também publicou Ternura e ódio: conflitos de amor, inveja e competição nas amizades entre mulheres. Dentre os inúmeros livros que publicou, seu primeiro: Fat is a feminist issue fez tanto sucesso que recebeu uma edição de ouro, após 20 anos como “bestseller” mundial que teve contundente apresentação e introdução à edição comemorativa da autora.
 
Pela Real Beleza da Mulher
Mantivemos contato e fui acompanhando suas novas publicações, o site www.any-body.org  que co-criou há cerca de uma década , cada vez mais atuante e influente, as passeatas que organiza, seus artigos no The Guardian, e sua militância política. Susie vem contribuindo, em seus memoráveis discursos político-governamentais, nos debates e propostas de políticas públicas referentes à mulher em seu país, no Reino Unido, na Europa nos Estados Unidos. Sua co-autoria na criação da Campanha Dove pela Real Beleza vem fazendo de Susie uma protagonista da história da mulher do seu tempo. E ela vem contribuindo para pavimentar os novos caminhos das mulheres de hoje e do futuro. Pois o que é esta beleza real? A beleza real se identifica com o que é natural. E, no caso da mulher, são esperadas transformações em seu corpo, seja com a maternidade, com a idade, com as alterações metabólicas e hormonais que fazem parte da vida. Portanto, valorizar a real beleza da mulher é propor sua auto-aceitação e auto-estima, evitando que ela se iluda e persiga os padrões de beleza projetados nos meios de comunicação de massa que fazem parte da realidade, principalmente, das pessoas e profissionais do cenário artístico, da moda e das colunas sociais. Padrões e modelos de beleza que só são atingidos, de maneira geral, à custa de inúmeras intervenções cirúrgicas, dietas draconianas, malhações sem fim, além dos apelos estéticos e recursos computadorizados de retoque da imagem.
 
Ano 2000: primeira vinda de Susie ao Brasil
Susie veio ao Brasil em outubro do ano 2000, para ministrar palestras quando da exposição Sigmund Freud: Conflito e Cultura, no MASP, em São Paulo.
Na ocasião, lançou o livro A impossibilidade do sexo, pela Editora Imago.
Sua visita ao Brasil teve grande repercussão na imprensa, com destaque à entrevista nas páginas amarelas da Revista Veja.
Na ocasião de sua vinda, Susie e eu nos reencontramos e, inclusive, fizemos um passeio pelo Parque Trianon, almoçamos no restaurante Spot e conversamos muito sobre a mulher brasileira.
 
Corpos: sustentáveis?
Em minha recente viagem à Europa, estive com Susie e dela recebi seu mais recente “bestseller”: Bodies (Corpos). Susie virá para o Brasil para participar de um congresso organizado pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, cujo tema será o corpo sustentável. Acredito que sua vinda ao Brasil seja das mais profícuas, pois nunca a sociedade brasileira necessitou tanto refletir e questionar a situação da mulher brasileira enquanto objeto, transfigurando-se a mais não poder em busca de um corpo e beleza ideais, propagados pelos meios de comunicação repletos de recursos “photoshopizados”, levando mulheres de todas as faixas etárias e classes sociais a ficarem, cada vez mais, obcecadas pela forma e beleza, perseguindo padrões, na maioria das vezes, internacionais e distante de suas realidades, como: magreza, eterna juventude, busto grande, quadris estreitos, cabelos lisos e, preferencialmente loiros, nariz arrebitado, altura acima de 1,60m, no mínimo, enveredando-se pela seara das plásticas sem fim, dietas a mais não poder, alimentando e engordado a indústria do culto à magreza, à juventude e à busca incessante pelo padrão de beleza dominante.
 
Em busca do tempo perdido
Como aponta Susie, toda esta pressão e tensão resultam em uma mulher que se preocupa e ocupa com questões inerentes à idealizada e desejada estética corporal, em detrimento de viver de modo fluido, livre e prazeroso em relação ao seu corpo. E, como consequência, muitas mulheres acabam despendendo tanto de seu tempo nesta incessante busca, que sobra menos tempo para se dedicarem a outras áreas de seu interesse.
 
Segunda visita de Susie ao Brasil
Em sua primeira vinda ao Brasil, no ano 2000, Susie e eu nos reencontramos em pleno dia de eleições municipais que elegeria sua colega psicanalista Marta Suplicy. Desta vez, desembarca muito próximo às nossas eleições presidenciais, onde as mulheres e os temas femininos têm destaque especial. É essa mulher, acessível, simpática, “mignon”, de 64 anos, que chega ao Brasil repleta de ideias, teorias, práticas e, acima de tudo, atenta e disposta a interagir e trocar com os brasileiros e brasileiras da contemporaneidade. Um diálogo visando a sustentabilidade de nossos corpos.
 
Sílvia Rocha é jornalista, mestre em Comunicação Social pela ECA-USP, agente literária de Susie Orbach, e trouxe suas idéias ao Brasil em 1987.

2 Comentários

  • Mama eu mama eu mamamama eu

    novembro 9, 2011 at 11:42 am
  • sandra

    Responder

    Eu li o livro e gostei muito, realmente a autora, fala ao leitor no meu caso, de uma maneira que olhamos p dentro de nós e encontramos, motivos pelos quais,comemos sem fome, e refletindo, vemos q muitas das vezes é por várias razões que comemos, e diversas vezes sem fome!! li o livro
    recentemente, e encontro forças a cada linha lida p colocar em prática minha reeducação alimentar, aos poucos sem preça como induz a autora alias parabéns a Susie Orbach!!!!

    dezembro 22, 2012 at 11:31 pm

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